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  • Foto do escritorana neto

O que torna a vida boa?

É uma pergunta que não fazemos muito mas, no entanto, sabemos o que a torna má, não é? Do stress aos conflitos, identificamos várias razões para que as coisas não andem tão bem.




Quando fui fazer uma formação em mindfulness na educação o ano passado, fiquei surpresa com o que a população em geral desconhece acerca do stress, está palavra que se embrenhou no nosso vocabulário e enche as nossas frases como algo demoníaco e negro.


A verdade é que o stress pode ser bom. Ninguém se importa de se sentir enérgico para começar um novo projecto que o excita, ou de ter ‘pica’ para se levantar da cama porque hoje é o dia em que será promovido. Ou, ainda um pouco mais no limite, há quem goste do êxtase de um jogo de futebol, com os seus poços de euforia e tristeza, e há quem goste de andar de montanha russa com os seus momentos aterrorizantes (mas seguros, claro). Ou seja, permitimo-nos sentir um pouco ansiosos, e até irritados ou assustados, desde que seja dentro da nossa zona de conforto.


Nós sabemos que estamos seguros durante estas actividades e que, pouco depois, as emoções e sensações corporais vão estabilizar e nós voltamos ao normal.


O problema está quando saímos da zona de conforto e começamos a sentir a pulsação acelerar, a tensão a subir e as emoções num turbilhão. Isto quando não nos dá para paralisar e até sentir encurralados.


E sim, vamos lá esquecer a ideia de que o stress ‘está na tua cabeça’. Os nossos corpos sentem-no igualmente.


Hoje sabemos que o stress está associado a diferentes doenças mentais, mas também físicas e, por isso, é importante sabermos geri-lo.


E aqui entra a maneira como nos conectamos e nos acalmamos mutuamente através das relações e das conversas que nos ligam.


Segundo Stephen Porges, nós temos um sistema nervoso social, que se desenvolveu no sentido da gestão do stress através das nossas relações sociais.


Assim que alguém demonstra que nos percebe, através de uma expressão facial, um gesto, nós começamos a acalmar quase em modo automático.


Nós sentimo-nos bem depois dos momentos de partilha, de gargalhadas ou até lágrimas e isso acontece porque os mamíferos não evoluíram para estar sozinhos, mas sim para se co-regularem.


Um estudo com uma duração de algumas décadas, que Robert Waldinger partilha numa TED talk, concluiu que as boas relações mantêm-nos mais felizes e mais saudáveis.


No estudo, não eram os níveis de colesterol que previam quem ia viver mais anos. Pessoas que são mais socialmente activas, seja através de amigos, da comunidade ou da família, vivem mais tempo.


As boas relações protegem o nosso cérebro. Em casais de longa data, o estudo demonstra que, enquanto sentirem que podem contar um com o outro, a memória mantém-se boa.

E aqui não importa que a relação seja duradoura mas que seja saudável. Viver em más relações é pior para a saúde que o divórcio.


É por isso de extrema importância (e agora mais que nunca) que desenvolvamos uma relação de proximidade e confiança para com os nossos filhos no sentido de os proteger não só física mas também emocionalmente.

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